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Anunciada como “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música”, “A feira de música e arte de Woodstock” aconteceu de 15 a 18 de agosto de 1969, numa fazenda de 600 acres na cidade de Bethel, estado de New York. Os Rolling Stones a chamaram de “o maior evento da história do rock.” Sem exageros, afinal o festival reuniu 32 apresentações musicais e 500 mil pessoas.

Criado para acontecer na cidade de Woodstock, berço de artistas como Bob Dylan, o festival foi transferido para a cidade vizinha por força da pressão dos moradores. Originalmente destinado a um público pagante de 200 mil pessoas, teve suas cercas derrubadas e contou, sem nenhuma infraestrutura, com um excedente de 300 mil pessoas que entraram gratuitamente. Além disso, a chuva transformou os campos em um gigantesco lamaçal.

Exageros da contracultura à parte, como sexo e drogas pesadas, o fim de semana transcorreu com raríssimas ocorrências, o que teria reforçado o intuito da geração que o criou como uma manifestação contra a guerra, a violência, o preconceito, o capitalismo, enfim, a consolidação do ideal hippie de “paz e amor”. Curiosamente, os festivais que foram organizados posteriormente, ainda que não tenham registrado tamanho público, além de não alcançarem a notoriedade do primeiro, registraram várias manifestações de violência, tumulto e agressões.

Em termos musicais, Woodstock se destacou por apresentações quase lendárias de artistas como Joan Baez (grávida de seis meses), Janis Joplin, The Who, Credence Clearwater Revival, Joe Cocker, Carlos Santana e Jimmy Hendrix, que encerrou o festival na manhã da segunda-feira, para apenas 30 mil pessoas e executou sua histórica versão do hino nacional estadunidense.

Politicamente falando, o festival aconteceu num contexto de guerra do Vietnã, grupos revolucionários, milícias paramilitares, facções religiosas extremistas, que geravam um cenário social violento e que antagonizava com o movimento hippie que pregava a “revolução das flores”.

No Brasil, a influência de Woodstock foi pronunciada na música de artistas como Raul Seixas, Made in Brasil e a última fase dos Mutantes. No aspecto social, a geração Woodstock incentivou os conceitos de ativismo ambiental e político, além de estimular o culto ao orientalismo que persiste até hoje (vide práticas como yoga e meditação).

Por outro lado, a visão de que as drogas eram “uma porta para a percepção da realidade” foi substituído pelo problema social grave que constituem atualmente, culminando no pesadelo do crack na América e da heroína na Europa. E a idéia do “amor livre” degenerou-se com o surgimento da AIDS no fim da década de 70 e começo dos anos 80.

Quarenta anos depois do emblemático evento, seu legado ainda é perceptível. E afinal, sempre vale a pena relembrar um dos grandes marcos da história da música.

Para saber mais:

“Aconteceu em Woodstock” do Diretor Ang Lee (Drama/Comédia – 2009)

“Woodstock: 3 dias de Paz, Amor e Música” do Diretor Michael Wadleight (Documentário – 1994)

Coleção “The Woodstock Experience” (CDS Sony Music – 2009)

Veja vídeos e curiosidades sobre o festival em http://www.revistaideia.blogspot.com/

Matéria publicada na Revista Ideia, edição de agosto de 2009.

Protagonista

No filme “O amor não tira férias”, Arthur Abbot, um renomado e idoso roteirista de cinema diz a Íris, quando esta lhe confessa seus problemas amorosos: “Nos filmes, nós temos a protagonista e a melhor amiga. Você, eu posso dizer, é a protagonista, mas por alguma razão, vem se comportando como a melhor amiga.” Metáforas cinematográficas à parte, o fato é que muitas mulheres lindas, fortes e inteligentes acabam por se desmancharem por causa de amores não (ou mal) correspondidos. Num mundo que cultua a beleza, a juventude e as relações superficiais, a insegurança e o medo da solidão acabam por criar uma legião de mulheres que, consciente ou inconscientemente levantam a bandeira do “antes mal acompanhada do que só”. E acabam por sofrerem relacionamentos que causam dor e ciúme. Anulam as próprias vontades e desejos pra viverem os do parceiro. Tentam, de qualquer forma se adaptarem a padrões impossíveis de comportamento pra não perderem a pessoa amada. E não vêem que não apenas elas, mas todos as estão perdendo. Os homens sempre gostarão de mulheres belas com pouca roupa. É uma dessas leias imutáveis da natureza. Eles farão comentários idiotas, virarão o pescoço e ficarão sorrindo (e se comportando) de forma boba quando uma delas usar o charme em sua direção. Eles serão frios com alguma freqüência, especialmente quando estiverem preocupados com questões financeiras ou profissionais. Eles tentarão parecer mais desejados do que são, pra provarem o próprio valor. E mais cedo ou mais tarde, trocarão suas parceiras pelos amigos, pelo futebol ou pela cerveja. Mas no fundo, todo homem reconhece uma boa mulher, especialmente na própria. Existe o companheirismo que só a intimidade traz, os colos e os cuidados. No pódio, acima de todas as outras, estão a mulher amiga, a que é a boa mãe pros seus filhos, a batalhadora. Aquela que arrasa na elegância, que é ótima cozinheira ou anfitriã. A que trabalha duro e tem uma carreira promissora. A mulher que ajeita o cabelo e o colarinho do seu amado antes que ele saia de casa. E uma vez que ela tenha consciência de seu próprio valor, o verá sempre refletido no olhar de seu companheiro. No entanto, se a questão ultrapassa os problemas da rotina e o flerte se transforma em caso, a distração em indiferença e os modos crus em grosseria, é preciso ser coerente com si mesma e os próprios sentimentos. Nenhuma separação, por mais dolorosa que seja pode ser pior do que viver se violando e aos próprios valores. O fato é que, seja para ficar ou pra ir, mulheres devem ser protagonistas da própria vida. Conhecer e respeitar as suas qualidades, defeitos e limites a fim de que nenhum homem, mocinho ou bandido, lhes tire a capacidade de brilhar nas telas do seu próprio filme.

Texto Publicado na Revista Ideia – Edição de Novembro de 2009

Doenças do Sono

Inúmeras são as pesquisas científicas sobre os efeitos benéficos do sono e os malefícios da sua falta ou inadequação. Prejuízos à saúde e ao estado emocional são costumeiramente apontados como resultado de uma, ou ainda, várias noites mal dormidas. Porém, cada uma das pessoas que se levantam cansadas pela manhã, reconhece pessoalmente o prejuízo que a falta do sono reparador pode causar. São aquelas que passam o dia sonhando acordadas com a possibilidade de voltar para a cama e mergulhar num descanso profundo. Dorme-se no trabalho, no trânsito, nas horas de lazer… Nunca na hora de dormir. Vários podem ser os motivos pelos quais não se consegue o tão almejado repouso. E, uma vez descobertos, vislumbra-se a possibilidade de alcançá-lo!

Dormir recupera as energias utilizadas pelo organismo durante as atividades diárias e promove a restauração de algumas das funções cerebrais. A falta de sono de qualidade ocasiona severos danos à qualidade de vida e à saúde. Sonolência excessiva, irritabilidade, hipertensão, diabetes, diminuição da memória e capacidade de concentração, dores no corpo e até obesidade, são alguns dos muitos efeitos danosos atribuídos à insônia ou ao sono inadequado. Alguns distúrbios do sono podem ser os causadores do problema. Entre eles podemos mencionar, como os mais comuns:

APNÉIA OU HIPOPNÉIA

Definida pela interrupção ou diminuição da respiração que leva à falta de oxigenação no sangue e a conseqüentes despertares, pode ser causada por fatores anatômicos ou obesidade que provocam o estreitamento das vias respiratórias. Entre outros sintomas, os mais comuns são o ronco alto e a sonolência diurna excessiva. Sabe-se que esses pacientes apresentam maior risco para doenças cardiovasculares, em especial a hipertensão arterial sistêmica. Além disso, a sonolência diurna excessiva, aumenta o risco de envolvimento em acidentes de trânsito e de trabalho colaborando para a morbidade e mortalidade dessa doença. Atualmente, existem vários tratamentos para o problema, como aparelhos, medicamentos e até cirurgias.

BRUXISMO

Caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes, como numa mastigação, durante o sono. A força realizada durante este ato é excessiva, provocando problemas musculares e dentais, tais quais, dor facial, dores de cabeça, desgaste dos dentes, entre outras. Suas causas ainda não são bem definidas, mas o tratamento pode consistir principalmente em utilização de placas miorrelaxantes ou ainda, em menor escala, medicamentos.

SÍNDROME DA PERNAS INQUIETAS

Manifestando-se através de irresistível necessidade de movimentar os membros inferiores e sensação de arrastamento das pernas, esse distúrbio provoca constante despertares e conseqüente diminuição na qualidade e tempo do sono, especialmente no início da noite. Em regra, o tratamento é realizado com medicamentos.

INSÔNIA

Caracterizada pela dificuldade em adormecer, ter muitos despertares durante a noite ou ainda, acordar e não conseguir dormir novamente, a insônia é um sintoma que pode decorrer de aspectos físicos, psicológicos ou sociais. Maus hábitos, algumas doenças ou estados emocionais, como a ansiedade, podem ocasionar causar ou agravar o problema. Seu tratamento consiste originalmente, em diagnosticar adequadamente suas causas para então aplicar as medidas comportamentais ou medicamentosas corretas.

NARCOLEPSIA

Trata-se de uma moléstia rara e de difícil diagnóstico, que muitas vezes se confunde com outros distúrbios do sono. É caracterizada por sonolência diurna excessiva, cataplexia (perda do tônus muscular) e anormalidades do sono REM (o sono dos sonhos). Embora seja uma doença benigna, seu tratamento é prolongado, através de medicamentos e tem por objetivo o controle dos sintomas, principalmente das crises de sono e da cataplexia, permitindo assim que o paciente mantenha suas atividades normais nos campos profissionais e sociais.

Os distúrbios do sono e a sonolência excessiva diurna produzem sérias conseqüências para quem os experimentam. De mau desempenho no trabalho ou estudos a aumento no risco de acidentes de trânsito, passando por alterações neuropsicológicas e cognitivas, a fadiga provoca graves alterações na vida de quem sofre de problemas relacionados ao sono. Identificar as causas do problema é o primeiro passo a ser dado. A polissonografia é exame de importância  crucial para o diagnóstico correto, fundamental para o tratamento adequado e  conseqüente melhora na qualidade de vida. Dentre os distúrbios do sono cujo diagnóstico de certeza é feito pela polissonografia, está a síndrome da apnéia e hipopnéia obstrutiva do sono, que atualmente é considerada um problema de saúde pública.

Texto técnico informativo integrante de folder da “Neurologia Batatais”.

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